A indústria têxtil estava em um bom momento neste início de ano. Foi um bimestre bem produtivo com um ritmo de trabalho constante.
O mercado estava animado, com os grandes magazines apresentando planos de expansão com investimentos robustos.
O otimismo contagiava todo o setor, até que… Aparece parece o tal do Covid-19.
Não vou me aprofundar no tema porque já estamos bem familiarizados com notícias sobre este organismo minúsculo que paralisou o mundo, dando uma rasteira na economia mundial, além de uma grande dose de sofrimento a toda sociedade.
Mas, diante deste cenário, olhando para a economia e os negócios, a conclusão que faço é a seguinte: as empresas precisarão se reinventar!
Mais do que nunca, será preciso uma profunda reestruturação dos processos internos para torná-los mais ágeis, confiáveis, com o menor impacto ambiental e com os custos mais enxutos possível.
Muitos lojistas já cancelaram os seus pedidos, o que deve ocasionar um baixo volume de produção nesta retomada das atividades.
Mesmo que o consumo volte aos padrões pré-crise, vai levar um certo tempo para a máquina econômica e produtiva girar perfeitamente, então esteja precavido para pelo menos um semestre de atividades abaixo do normal.
Com isso, já podemos pensar em algumas ações práticas para minimizar o estrago do Coronavírus nas organizações que prestam serviços de estamparia.
Pensando nisso, preparei algumas dicas que podem ser úteis para você nesse momento:
- A primeira ação é fazer uma análise criteriosa do seu fluxo de caixa para um período mínimo de 6 meses. É necessário fazer um levantamento de todos os recebíveis e todas as contas a pagar, incluindo previsões de faturamento e lançamentos de despesas futuras para se ter uma visão completa de como as finanças de sua empresa poderão se comportar neste próximo período. Caso você ainda não tenha uma planilha elaborada especificamente para auxiliar no controle do fluxo de caixa das empresas de estamparia baixe a nossa planilha gratuitamente;
- Após o levantamento das despesas, é preciso eliminar aquelas identificadas como desnecessárias, trabalhando com o mínimo de gastos possível para validar os resultados do seu planejamento, fazendo revisões periódicas comparando o que foi planejado com o que está sendo executado;
- Outro passo extremamente importante é fazer uma análise de todos os processos produtivos para tentar identificar possíveis desperdícios de tempo e de matéria prima, evitando paradas desnecessárias e retrabalhos, tornando a sua operação mais eficiente e rentável. Aqui é que entra o quesito criatividade, pois, com caixa reduzido, que tipo de ação pode ser feita para melhorar o seu chão de fábrica?
- Fique atento aos estoques! Algumas empresas costumam realizar compras mensais em volumes mais altos para não ter que ficar realizando inventários e pedidos em um curto espaço de tempo. Mas, neste momento, fazer compras mais pontuais na tentativa de dar maior vazão ao que você já possui estocado, pode ser uma boa estratégia para dar fôlego nas suas contas a pagar;
- Faça o escalonamento de equipes no caso de baixa demanda pode ser uma opção. A ideia pode ser a adoção de um banco de horas, para que o efetivo fique reduzido por um determinado tempo até que as atividades voltem ao normal. Mas atenção: antes de tomar esta medida, consulte a sua contabilidade para saber como proceder;
- Se possível, aproveite alguma oferta de crédito com juros mais acessíveis e prazos maiores, tanto para cobrir alguma necessidade imediata de caixa quanto repactuar algum contrato anterior que eventualmente foi praticado a taxas maiores, gerando economia a longo prazo. O exemplo vem do governo de SC que, através desta iniciativa junto ao Banco Regional de Desenvolvimento Econômico – BRDE, vai economizar algumas dezenas de milhões de reais em juros a pagar nos próximos anos;
- A antecipação de títulos emitidos aos seus clientes também é uma opção, desde que você tenha contratado este tipo de serviço em sua conta;
- Evite usar créditos rotativos que já estavam disponíveis em sua conta, a exemplo do limite de cheque especial ou giro rápido. Como estes contratos foram realizados antes do período da quarentena, provavelmente a taxa contratada não era das mais interessantes e, se acaso o seu faturamento não reagir como o esperado, sua empresa pode entrar em um endividamento indesejável;
- Se necessário, negocie com o seu banco a prorrogação de eventuais parcelas de empréstimos ou financiamentos. Algumas instituições já anunciaram esta possibilidade, mas fique atento quanto a possíveis taxas ou acúmulos de parcelas quando os pagamentos forem retomados. Para isso, tenha uma boa conversa com o seu gerente;
- Verifique com sua contabilidade a opção de postergar o recolhimento de impostos sobre faturamento e sobre folha salarial para os próximos três meses. O governo federal anunciou esta medida para atenuar o déficit no caixa das empresas;
- Em casos mais críticos, é possível realizar um parcelamento de faturas de energia elétrica que eventualmente estiverem em atraso. Entre em contato com a central de sua concessionária, mas fique atento, pois as parcelas renegociadas irão vencer junto com as próximas faturas de consumo, gerando acúmulo de valores;
- Use a demissão como última alternativa. Claro que precisamos pensar na perenidade das organizações, mas além do fator psicológico, familiar e social do colaborador, a própria economia deve avançar de forma mais lenta com índices de desemprego elevados;
- E por fim, busque aconselhamento de especialistas como: consultores, contadores, advogados, associações comerciais e industriais ou até mesmo empreendedores que você vê como referência na sua área, pois com todas as incertezas que estamos vivendo, uma boa orientação pode valer a sobrevivência do seu negócio;
Tudo isso vai passar, e logo, todavia, seremos os pagadores desta conta, inevitavelmente.
E mais do que nunca, as empresas precisarão se conhecer melhor internamente para aumentar as suas chances de perenidade .
A pergunta que deixo e que motivo você a interagir nos comentários é a seguinte: como vamos proceder com os novos desafios que surgiram?
Estaremos preparados para enfrentar com criatividade, coragem, confiança, tomar o leme do barco e sermos protagonistas diante desta realidade? ou ficaremos à deriva aguardando algum bote salva vidas? – se é que terá algum navegando por estas águas!

Estamos no caminho certo , muito esclarecedor seu trabalho.